Francisco de Assis Gomes da Silva

Francisco de Assis Gomes da Silva2 Perfil

Ator, diretor, produtor e professor com mais de 20 anos de experiência, trabalhando com formação de atores com foco em interpretação, consciência corporal e montagem. 

Possuo mais de 20 anos de formações e imersões em trabalhos de autoconhecimento, cujo material convergiu para o desenvolvimento e formação dos alunos com quem trabalhei.

Experiência Profissional em Educação

Escola de Artes Dramáticas Indac [1997 – 2020]

Conheci a escola INDAC de teatro através de Maucir Campanholi. Em 1994 trabalhamos juntos por dois anos e meio em uma pesquisa de linguagem cênica. Essa pesquisa tinha por objetivo a busca de uma ação teatral em que o ator pudesse expressar o próprio ser. Devido ao alcance do trabalho desenvolvido por mim nesse projeto, fui convidado a ingressar nessa instituição na qual ele era coordenador. Nessa instituição eu dei aula para os alunos do curso técnico de teatro. Dava aula de montagem (montávamos espetáculos que eram apresentados no final de cada semestre) e corpo.

Trabalhando nessa instituição tive oportunidade desenvolver a minha pesquisa de trabalho com o ator/criador. O primeiro passo do meu trabalho envolve o conceito de entrega. A não resistência aos próprios impulsos criativos. E compreender que temos todo o potencial criativo dentro de nós.  O segundo passo envolve o ato de vontade, que é tudo aquilo que está ao meu alcance fazer. Como falar, andar e criar formas físicas pela minha vontade.

O trabalho que desenvolvo tem como base filosófica o pensamento do mestre caucasiano George Ivanovich Gurdjieff. Essa pesquisa tem como objetivo central a interpretação desenvolvida a partir dos centros intelectual, emocional e instintivo/motor. Sendo que o centro intelectual fica com a parte de tudo o que é pensado, como por exemplo o texto. A parte emocional fica para as emoções e sensações produzidas pelos personagens do texto. E a parte instintivo/motor é responsável pelas ações físicas e composição do personagem.

A partir desta abordagem, montei dois textos por ano ao longo de 20 anos. Adaptei e encenei textos de autores como Nelson Rodrigues, Carlos Alberto Soffredini, Caio Fernando Abreu, Shakespeare, Ibsen, Tchecov , Molière, Bernard-Marie Koltès, entre outros.

Escola Teia Multicultural [2005 – 2009]

Nessa escola, fui convidado a iniciar uma forma alternativa de educação. O convite veio da fundadora Georgia Correa, a quem dei aula de teatro em um curso no INDAC.  Lá eu utilizava a capoeira como uma forma de aquecimento e para abordar alguns conceitos da cena teatral como ritmo, jogo e adaptação.

O objetivo da fundadora era trabalhar os parâmetros curriculares de forma vivencial. Assim, ela me pediu para adaptar esse trabalho lúdico com a capoeira aos parâmetros curriculares. Passei então a trabalhar os conteúdos de matemática e português através do jogo cênico da capoeira, tanto com alunos do Fundamental I, quanto do Fundamental II.

Outra vertente do trabalho desenvolvido por mim está relacionada à capacidade de escuta e ao autoconhecimento, pontos fundamentais para a escola, que atua com foco na inclusão. Assim, fui designado para dar aulas para turmas com crianças com síndrome de down, problemas cognitivos e autismo.

Formação em autoconhecimento

Ao longo de 20 anos venho convivendo com técnicas de autoconhecimento tais como: Renascimento, Grito Primal, meditação ativa, constelações familiares e Guidwork.

Constelações Familiares [2006 – 2012]

Constelação Familiar é uma terapia alternativa que visa sanar problemas decorrentes do seio familiar. Graças a ela, conseguimos montar um estudo de por que somos do jeito que somos. É como se fizemos um raio-x de nossa vida e chegássemos até nossos antepassados.

Segundo a Constelação Familiar, cada ato realizado por nós fica impresso em um campo invisível chamado “campo familiar”. Graças a ele, essas ações se perpetuam em nossa família, atingindo os membros que ainda estão por nascer. É a impressão digital do nosso seio familiar. Bert Hellinger, criador da terapia, indica que esse mesmo campo induz novos indivíduos a repetir papéis a fim de curá-los. O campo familiar empurra esse ente na tentativa de que ele faça o conserto que o evento precisa.

Em 2006, o casal de professores Peter e Tsuyuko Spelter apresentou para um grupo de pessoas do qual eu fazia parte uma nova terapia chamada Constelações Familiares, que mais tarde receberia o nome de ciência Hellinger. Após este primeiro contato fui convidado pelo casal para ajudá-los a registrar seu trabalho no Brasil. Fiz isso ao longo de seis anos. Durante esse período, fiz com eles a formação em constelações familiares. E tive a oportunidade de registrar através de vídeos mais 6 formações e 11 workshops. Inicialmente pretendia trabalhar com constelações familiares. Mas logo percebi que o meu caminho era aplicar esse trabalho fenomenológico ao teatro.

Guidework (Pathwork) [2003 – 2017]

O Pathwork é uma metodologia de autoconhecimento desenvolvida a partir dos ensinamentos que foram canalizados pelo guia espiritual de Eva Pierrakos, sendo considerado como um caminho espiritual de autopurificação e autotransformação, envolvendo todos os níveis de consciência. Esta formação aprofundou sensivelmente o meu conhecimento do ser humano e, naturalmente, de mim mesmo, e impactou positivamente todos os trabalhos que eu faço com pessoas.

Meditação [1999 – 2020]

As meditações ativas fortalecem, energizam e são antidepressivas. O estresse acumulado no corpo/mente torna difícil atingir o estado meditativo. As meditações ativas do mestre indiano Osho foram criadas para nos capacitar a expressar conscientemente nossos sentimentos e a partir daí, entrar num estado meditativo que possibilita a observação e a possível mudança de nossos padrões habituais.

Conheci as meditações ativas com Jo Kamal, discípulo direto de Osho.  Inicialmente praticávamos a meditação em grupo uma vez por semana e, em 2001, passamos a praticar todos os dias. Passamos a trabalhar também com outras técnicas, como o Zazen e a Pulsação Tibetana. Foram oito anos de trabalho intenso. Após oito anos comecei a dar as meditações na escola em que trabalhava. E comecei coordenar Campos de Meditação.

Experiência profissional em teatro

DRT 46219 – Ator, diretor e produtor.

Cia. Círculo da Miragem [2002 – 2020] – Criei a Cia. Círculo da Miragem com o objetivo de proporcionar ao público uma experiência na qual o autoconhecimento esteja no centro do debate.

“Num Bosque” – Primeiro espetáculo da Cia.Círculo Miragem, adaptação própria do texto homônimo de Akutagawa, com temporada no Centro Cultural São Paulo e no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo.

“Van Gogh para Jovens” – O segundo espetáculo da Cia. É um texto teatral voltado para o jovem que, com este espetáculo, tem a oportunidade de aproximar-se do fantástico universo de Vincent Van Gogh. O espetáculo fez mais de 350 apresentações ao longo de 10 anos e já encantou e cativou mais de 135 mil alunos da rede pública e privada.

“Os Vivos e os Mortos” – Em 2013 e 2014, produzi e dirigi o espetáculo “Os Vivos e os Mortos”, de Kiko Marques, no Viga Espaço Cênico, em São Paulo. (Captação feita através da Lei Rouanet). A peça ambientada na Índia da década de 40, conta a história de Kadambini uma mulher que acha que morreu. E ao se acreditar morta passa a viver verdadeiramente.

“Eu, Machado” – No espetáculo, o mito do grande escritor, Machado de Assis, certamente um dos maiores da língua portuguesa, encontra no ator que o interpreta o homem, um brasileiro. A partir desse encontro, um olhar; histórico, crítico, mas também muito poético, se lança sobre o Brasil de ontem e de hoje. Texto e direção de Luiz Eduardo Frin. Espet´[aculo ficou em cartaz no Viga Espaço Cênico, em São Paulo. (Captação feita através da Lei ProaC ICMS).

“Diário de uma mulher iluminada” – Quinto espetáculo da Cia. Círculo Miragem, a peça que conta a história da mestre sul -africana, Leslie Temple-Thurston.

Outras experiências

TV – Na TV Cultura, fiz o teleteatro “A luz da outra casa”, direção e dramaturgia de Maucir Campanholi.

Cinema – Em 2017, integrei o elenco do longa metragem “Meio irmão, direção e roteiro de Eliane Coster. O filme participou da mostra Internacional de cinema e 2018 e foi premiado como melhor filme pela Ancine, melhor filme jure popular e Prêmio de Circulação pela Petrobras. O longa entrou em circulação nacional em março de 2020.

Início da carreira – Iniciei a carreira artística como ator em montagens como “Bailei na Curva”, com direção de Eliel Ferreira, e “Os Mocorongos”, texto e direção de Leo Lama. Logo após ingressei no Centro de Pesquisa Teatral (CPT) de Antunes Filho. Trabalhei também como iluminador até chegar à direção de minha primeira peça, “Monaliza”, de Guilherme Bonfin que estreou no Centro Cultural São Paulo. Depois estreei “Roberto Zuco”, de Bernard Marie Koltés, “Sob Céu Cinzento” de Maucir Campanholi.

Demais formações

Iluminação cênica [1989 a 1990] – SESC – Conteúdo: história da arte, história da iluminação, desenho de luz.

Desenho mecânico e eletrotécnica [1979 – 1981] – SENAI.

Segundo grau completo [1973 – 1983] – Escola Martim Afonso de Souza, São Vicente (SP).